Macacos é uma espécie de corrente onde são encadeadas palavras escolhidas por associação livre de idéias. Tudo que a palavra ou expressão anterior na corrente estimular no leitor pode e deve ser imediatamente acrescentado por ele próprio, como numa livre associação psicanalítica, na forma de rima, trocadilho, citação etc. Não importa que o próximo leitor não identifique de imediato a associação. O objetivo é criar uma corrente na qual cada um acrescente um elo, na busca de uma impessoalização da obra. Em outras palavras, busca-se uma obra aberta, livre para qualquer um acrescentar na corrente o que bem lhe aprouver, mesmo que isso não tenha um sentido aparente, mas que contribua para a criação de uma poesia coletiva, onde o máximo de impressões e experiências pessoais sejam reunidas, gerando uma representação escrita e espontânea do inconsciente coletivo, já que ela será um produto coletivo. Pode funcionar como um tipo de catarse para esse inconsciente coletivo.

A própria falta de um objetivo ou intenção pessoal é adequada para a contribuição espontânea de cada um na corrente. A corrente não é subordinada a regras ortográficas ou gramaticais e aceita qualquer língua, preferivelmente encaixada como conexão natural estimulada pelo elo anterior. Se hoje Macacos começa e está em português, circulando entre indivíduos que falam e escrevem nessa língua, amanhã a obra poderá ter migrado para outra língua, e depois de amanhã pode voltar.

O objetivo de Macacos talvez seja o de criar uma obra impessoal, global, de âmbito planetário e multilingual, que contenha a contribuição do máximo de pessoas na construção dos elos da corrente, um mosaico monumental de experiências pessoais, artísticas e culturais espalhadas por todos no planeta que tenham acesso à obra e que desejarem participar. Não existe absolutamente nenhuma obrigatoriedade daquele que receber a corrente em contribuir, e nem de passá-la adiante. Macacos só vai funcionar espontaneamente.

Mas, para quem quiser, acrescentar alguma coisa é muito fácil. Basta continuar na última linha de Macacos, completando a expressão anterior, escrevendo por associação de idéias, rima ou lá o que seja, a sua contribuição, sem limite de tamanho. Não há restrições morais, religiosas ou qualquer forma de censura ou impedimento. Qualquer coisa pode ser escrita e não há obrigatoriedades estéticas. Não é preciso que algo escrito em Macacos tenha qualidades supostamente artísticas. Se em algumas partes a obra tiver um caráter artístico predominante, será fruto da tendência natural que ela tomou naquele período, mas não é necessário que essa tendência seja mantida por quem acrescente o próximo elo. É permitido até mesmo modificar partes já escritas, visto que há várias cópias da obra espalhadas.

É necessário apenas que se passe adiante Macacos para a contribuição de outras pessoas. O meio mais adequado para a experiência é a Internet, por questões de espaço. Aliás, presumimos que seja o único possível. Macacos jamais poderá ser impresso integralmente, porque não seria possível e nem é o seu objetivo. A obra impressa tem um caráter pessoal e estático, limitado, que foge às nossas intenções. Por isso, a difusão de Macacos será sempre por meio de sua divulgação integral online.

Macacos não tem prazo para ficar pronta. De fato, a intenção é de que jamais tenha um fim, e que esteja sempre disposta a agregar mais um elo. Se um dia ficar pronta, contudo, desconfiamos que as estrelas começarão a se apagar, uma a uma...

Escreveram em algum lugar que se um hipotético e longevo macaco martelasse num teclado de máquina de escrever aleatoriamente por alguns milhões de anos acabaria um dia escrevendo a Ilíada. O que fariam alguns milhões de seres humanos escrevendo uma mesma obra, acrescentando cada um suas impressões aparentemente confusas e caóticas do mundo, mas genuinamente representativas de um subjacente inconsciente comum?

Macacos talvez responda.


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“Macacos e Outros Fragmentos ao Acaso não é uma desculpa para o autor "esvaziar a gaveta", por assim dizer. É uma reflexão sobre acaso e destino, a natureza do Universo, sobre a atividade autoral e sobre o exorcismo de fantasmas pessoais que repercutem certos dramas da sociedade na qual o narrador está inserido. Também faz uma crônica do Rio de Janeiro com toques sobre a miséria e a violência. Tudo isso forma um conjunto temático profundo, que transcende a banalidade da situação de dois amigos num bar, e os contos inseridos ajudam o texto de Nunes a ganhar a profundidade e o alcance que suas intenções necessitam. Além dos efeitos estilísticos de melancolia e de variação de tom e de tema, alguns deles conseguem ser genuinamente filosóficos - justamente o que a proposta metaficcional do livro exige. Macacos e Outros Fragmentos ao Acaso é um livro complexo e bastante engenhoso, enfim pertencente ao fantástico e não à ficção científica, mas que merece a atenção dos fãs.”
- Roberto de Sousa Causo (Terra Magazine)

“O livro tem uma cara de autobiografia difícil da gente se livrar, tal a realidade da trama de fundo. O final do livro me deu um tombo (o que me agrada muito em uma leitura); inesperado, fechando todas as pontas, e acima de tudo… FC! Um livro que merece ser mais conhecido; aliás, muito bom para aqueles que querem iniciar parentes, amigos ou namoradas(dos) na FC de maneira discreta e leve. Recomendadíssimo!”
- Flávio Medeiros (Blog Insônia)

“Escrito pelo publicitário Jorge Moreira Nunes em 1999, Macacos e Outros Fragmentos ao Acaso propõe um complexo jogo a seus leitores, com partes sobrepostas formando um todo maior que sua simples somatória, desdobramentos inusitados e múltiplas camadas de compreensão se alternando ao longo de suas páginas. Para entrar no terreno das metáforas, cada um pode escolher a de sua preferência: bonecas russas, dobraduras japonesas ou mesmo uma simples cebola da terra para tentar descrever os efeitos presentes neste metalivro.”
- Romeu Martins (Ponto de Convergência)

“Os desconcertantes capítulos denominados Macacos possuem o mérito inegável de brincar com o inconsciente semântico do leitor ou, numa visão menos otimista, tocar a superfície adormecida desse oceano de possibilidades cuja linguagem certamente deve diferir da lógica habitual. O projeto Macacos vai tendo sua significação e relevância esclarecidas pouco a pouco e, até as últimas páginas parece não ter outra função que não seja incomodar o leitor, obrigando-o a improvisar um novo método de leitura lúdico e participativo, e que dê conta de várias páginas de uma enorme seqüência de associações livres demais ou – o leitor pode notar, desconfiado – nem tão livres assim.”
- Ludmila Hashimoto (Overmundo)

“Quando a gente lê um trecho de Macacos vai sentindo a cabeça sofrendo uma pequena tempestadezinha cerebral. A mente vai dando derrapadas, a memória recebe chacoalhadas e a consciência vai sentindo cócegas com as guinadas de sentido e ritmo que o texto dá.”
- Carlos Alberto Teixeira (O Globo)

“Um livro importante e indispensável para quem tem interesse pela FC & F brasileira, mas excelente também para quem não está nem um pouco interessado nisso: o livro sustenta-se a si mesmo, com uma pletora de boas ideias e pelo menos dois ótimos contos de ficção científica brasileira recente”
- Cesar Silva (in Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, 2007)

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